Maria, ou outro nome qualquer.
Um dia acordou e percebeu que a sua sala interior tinha diminuído de tamanho. Ía
diminuindo.
Constatou: as paredes encolhiam um milímetro por segundo.
A cada deslizar de ponteiro conquistavam um pouco mais do que costumava ser o seu espaço, confinando-a a um corpo cada vez mais pequeno. Manifestamente insuficiente para contê-la toda.
Os movimentos, que costumavam ser fluídos, tornaram-se lentos, viscosos, comprimidos num lugar
exíguo.
O fósforo da vontade, motor das demandas, apagara-se-lhe no peito. Havia pouco que pudesse fazer. Na ausência de luz, a escuridão frutificou.
Deu terreno ao avançar dos muros. Deu os braços às correntes e os pés aos
grilhões.
Bebeu da dúvida, que consumira já o oxigénio daqueles tecidos-parede de tijolos-osso, e sufocou no
fim.