Demasiado feliz para me sentir eu, sinto-te só a ti. Em cada órgão do meu corpo teu. Máquina de guerra que foi. É agora macio, para acolher-te. Para que te não assuste a minha crueldade. Monstro, que sou no íntimo. Forjado na aspereza dos dias, que me fizeram assim. Não escolhi ser uma bestinha. Ouvi só as entranhas revoltas com tudo em redor. Avessas à vida e aos outros. Teci esta armadura da pele, que me traía tantas vezes. Pela boca morre o peixe. Fiz-me aço. Guardei tudo o que era vivo numa caixinha. Que abro agora. Diante dos teus olhos armadilha. Cai-me a máscara. Dá-se o degelo. Aqueces tudo. Tenho o sangue a ferver nos canais. Leva-te a todo o lado. Todo este contentor humano cheio de ti. E os músculos doridos do ácido desse corpo estranho que se lhes entranhou na massa. A ceder. Aceder. Assentir sentir.