Cansada do vácuo da tua ausência
Cansada do vácuo da tua ausência,
Procuro-te por detrás do tempo que já passou.
Nas imagens que ficaram,
Nos cheiros que guardei nas mãos,
Cheias até que mais não pudessem conter.
Com cuidado para não deixar escapar nada por entre os dedos
Ou por entre os longos dias que se nos seguiram.
Ou por entre os gestos bruscos da despedida,
Rápida e eficiente, da única forma que sei encarar o inevitável
Partindo logo de seguida cada um no seu sentido,
Ou em sentido nenhum,
À deriva.
Cerrei os dentes, os dedos
E meti-os nos bolsos para não sentir o frio
Que me gela hoje,
Para não sentir o nada
Que me gela hoje.
Galapogos
Posted at 05:43 am by
galapogos
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É aqui que escrevo
Aqui que paro para pensar e ser eu
Aqui que descanso e deito a cabeça no teu ombro
Para que me consoles do turbilhão de cansaços
Que são os dias.
Cheios de horas e de pessoas e de caminhos
E de pedaços meus que vou largando
Para que me não pese tanto a existência
Enquanto me arrasto até chegar aqui
Onde escrevo.
Galapogos
Posted at 12:22 pm by
galapogos
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Dentro de mim há imagens
A querer saltar cá para fora e pintar quadros.
Há dias em que não posso dormir sem um bloco ao lado
Não vá alguma querer saltar
E rebentarem-se-me as águas em que as contenho,
Em ebulição dentro de mim.
Cozinho-as e protejo-as, que pouco mais posso fazer,
E contenho-as até que estejam prontas para enfrentar o mundo.
São pequenos embriões de ideias
Ainda em bruto,
Mas um dia estarão talhadas para singrar
E não terão medo do mundo.
Vão saltar cá para fora, jorrar de mim
Com uma força inesperada
Por todos, excepto por mim,
Que conheço a força das vozes presas em bocas amordaçadas
Pela incompreensão do mundo.
Galapogos
Posted at 09:14 am by
galapogos
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