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    <title>Diarreia Lexical</title>
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    <description>diário de um coma</description>
    <lastBuildDate>Thu, 06 Sep 2007 14:00:01 PDT</lastBuildDate>
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    <copyright>Copyright 2007.</copyright>
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      <title>As tuas pestanas</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/24.html</link>
      <pubDate>Thu, 06 Sep 2007 21:51:52 GMT</pubDate>
      <description>são dois pinceis a pintar de luz os dias
duas penas a fazer [-me] cócegas ao mundo
 
Os dois pontos que transformaram em reticências um final sem glória.</description>
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      <title>Praia-mar, baixa-mar, praia-mar.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/15.html</link>
      <pubDate>Tue, 07 Aug 2007 23:26:04 GMT</pubDate>
      <description>   Vejo todos os dias a maré chegar e partir. Sobe, percorre a areia, entranha-se nela e regressa.
   Aprecio os movimentos e os desenhos que imprime em meia areia. 
   Traça um horizonte longitudinal, chega só a meia praia. A outra meia é toda minha, e intocada. Quando quero chegar à água, atravesso-a depressa, para não conspurcar de humanidade esse santuário branco. 
   A água renova-se 2 vezes a cada 24 horas, suporta bem o que as minhas glândulas sudoríparas cospem, numa tentativa infrutífera de se livrarem de mim. 
   Mergulho no azul os despojos dos dias, em busca de uma absolvição que... (more)</description>
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      <title>da inevitabilidade dos fins.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/23.html</link>
      <pubDate>Fri, 27 Jul 2007 17:27:10 GMT</pubDate>
      <description>Há dias em que compreendo. Aceito. Entendo.

Porque pairo, sinto-me maior.
Acima das dúvidas, dos presságios, 
Da nuvem negra que nubla a vida e turva a vista.

Acredito.
Acima das perspectivas,  da lei das probabilidades.
Da inevitabilidade dos fins.

Contigo, 
Quero ser sempre meio. </description>
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      <title>Amo-te mais quando sorris.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/22.html</link>
      <pubDate>Sat, 14 Jul 2007 23:31:47 GMT</pubDate>
      <description>Amo-te mais quando sorris.

É egoísta, bem sei.
Deve-se ao prazer que me proporciona ver-te feliz.
E à incapacidade que tenho em lidar com a minha impotência relativamente ao teu outro estado. Mais cinzento. Menos acessível. Que faz caroços na garganta e pesa no peito. E me impede de alcançar-te, aquecer-te, apertar-te.



Amo-te mais quando carregas os meus restos agarrados nas pregas da saia. Quando me deixas pertencer-te.


É egoísta. Querer-te também pelo que quero de mim em ti.


É egoísta querer-me e sentir-me os meus desenhos nos teus olhos e a forma como me vês. Que é melhor... (more)</description>
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      <title>Maria, ou outro nome qualquer.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/17.html</link>
      <pubDate>Fri, 29 Jun 2007 15:58:07 GMT</pubDate>
      <description>Um dia acordou e percebeu que a sua sala interior tinha diminuído de tamanho. Ía 
diminuindo. 

Constatou: as paredes encolhiam um milímetro por segundo. 
A cada deslizar de ponteiro conquistavam um pouco mais do que costumava ser o seu espaço, confinando-a a um corpo cada vez mais pequeno. Manifestamente insuficiente para contê-la toda. 
Os movimentos, que costumavam ser fluídos, tornaram-se lentos, viscosos, comprimidos num lugar 
exíguo. 

O fósforo da vontade, motor das demandas, apagara-se-lhe no peito. Havia pouco que pudesse fazer. Na ausência de luz, a escuridão frutificou. 
Deu... (more)</description>
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      <title>Assentir sentir.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/19.html</link>
      <pubDate>Sun, 17 Jun 2007 21:29:53 GMT</pubDate>
      <description>Demasiado feliz para me sentir eu, sinto-te só a ti. Em cada órgão do meu corpo teu. Máquina de guerra que foi. É agora macio, para acolher-te. Para que te não assuste a minha crueldade. Monstro, que sou no íntimo. Forjado na aspereza dos dias, que me fizeram assim. Não escolhi ser uma bestinha. Ouvi só as entranhas revoltas com tudo em redor. Avessas à vida e aos outros. Teci esta armadura da pele, que me traía tantas vezes. Pela boca morre o peixe. Fiz-me aço. Guardei tudo o que era vivo numa caixinha. Que abro agora. Diante dos teus olhos armadilha. Cai-me a máscara. Dá-se o degelo.... (more)</description>
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      <title>E-migração</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/13.html</link>
      <pubDate>Wed, 06 Jun 2007 16:53:27 GMT</pubDate>
      <description>Olho-me para dentro e pergunto:

- Está aí alguém?

Respondo-me que não. Emigrei.
Ficou só espaço máquina inactiva.
Engrenagens calcinadas pela ausência de vida. Falta de gritos-gargalhadas-lágrima que oleiem este metal frio, que se me colocou no lugar do corpo adolescente a explodir de vontades.
Escolhi emigrar. 
Sou mais fácil de gerir à distância. 
É-me mais fácil gerir a distância. 
O calor dos outros desvia-me.</description>
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      <title>Alegoria da concha</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/10.html</link>
      <pubDate>Fri, 11 May 2007 20:44:25 GMT</pubDate>
      <description>Sirvo-vos uma bandeja de ossos e pele, que é tudo o que tenho. 
Os órgãos dei-os aos dias.
Tudo o que era vivo consumido pelo lume brando das horas mortas. 
De todas as horas em que esperei sentada pela revolta que nunca foi. 
Nada mexeu. Nem o mais pequeno dos dedos.
Celebro a morte serena dos mitos, das crenças. 
O dia em que enterrei o credo e dei a boca ao verbo. 
Enterrei os pés na areia e rendi-me a esta vida em forma de concha. 
Pronta a guilhotinar quem ousar querer tocar-me o núcleo. 

Não quero mãos veneno externo a contaminar. A sujar de vida o meu coma macio.
São quilos de... (more)</description>
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      <title>Não, não estou aí.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/8.html</link>
      <pubDate>Sat, 21 Apr 2007 17:45:48 GMT</pubDate>
      <description>Não, não estou aí
   onde me procuras.
Não estou onde me queres.
Estou semi perdida,
   semi partida,
Nalgum lugar que ficou para trás,
   antes ainda da tua chegada.
Envolta em vácuo,
   envolta em nada.
Que foi onde me deixaram,
   nalgum lugar.
Enquanto esperava,
   a tua chegada.</description>
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    <item>
      <title>.</title>
      <link>http://diarreialexical.blogdrive.com/archive/5.html</link>
      <pubDate>Wed, 21 Mar 2007 23:27:26 GMT</pubDate>
      <description>Coma nenhum vai calar esta voz,
Estes bichos aos saltos no meu peito.
A abstracção só existe nas minhas fantasias,
A realidade é activa e persistente
E dura e áspera.
Não consigo fugir à dúvida
À incerteza
Ao erro
Não, nunca vou sossegar.
Não está em mim a paz,
O meu âmago é inquieto e combativo
E faz-me intrépida e hesitante,
Louca sensata
Enclausurada numa gaiola de incertezas
Quase confortável,
Quase minha...
Mas da qual procuro sempre escapar.
 
Galapogos</description>
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